Rio cria núcleo integrado para combater furtos de cabos e prejuízos já passam de R$ 69 milhões

Rio cria núcleo integrado para combater furtos de cabos e prejuízos já passam de R$ 69 milhões

Prefeitura e Governo do Estado vão compartilhar dados e ampliar operações contra furtos, receptação e comércio irregular de materiais que afetam iluminação, semáforos, energia e telecomunicações

A Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado anunciaram, nesta terça-feira (1º), a criação de uma estrutura permanente para enfrentar os furtos e a receptação de cabos e componentes metálicos da infraestrutura urbana. O Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos foi instituído por decreto e reunirá órgãos municipais, forças de segurança e empresas responsáveis por serviços públicos.

A medida surge diante do impacto financeiro e operacional provocado pelos crimes. Somente nas redes municipais de iluminação pública e sinalização semafórica, os prejuízos acumulados desde 2021 já ultrapassam R$ 69 milhões.

Coordenado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), o novo núcleo terá a missão de concentrar informações sobre ocorrências e utilizar dados de inteligência para identificar áreas mais afetadas, horários de maior incidência e padrões de atuação dos criminosos.

Também serão cruzados dados sobre materiais furtados, fiscalizações, apreensões, autuações e estabelecimentos que trabalham com sucata e metais. A estratégia pretende ir além da abordagem dos locais onde os crimes acontecem, atingindo também a cadeia de transporte, armazenamento, receptação e comercialização dos materiais.

Combate à receptação ganha foco

A estrutura reunirá representantes do Sistema de Segurança Municipal, da Rioluz e da CET-Rio, além de permitir a participação de órgãos estaduais, Polícia Civil, Polícia Militar, concessionárias de serviços públicos, empresas de energia e telecomunicações e outras instituições envolvidas no enfrentamento dos furtos.

Um dos principais objetivos será identificar ferros-velhos e outros estabelecimentos suspeitos de receber materiais de origem irregular. Nesses locais, além das ações policiais, poderão ocorrer fiscalizações administrativas, verificações de licenças e documentos, análise da origem dos produtos, apreensões, interdições e aplicação de sanções.

Em determinadas situações, caso sejam atendidos os requisitos previstos na legislação, a Prefeitura poderá inclusive avaliar a desapropriação de imóveis utilizados em atividades irregulares.

A proposta é ampliar a capacidade de fiscalização sobre toda a cadeia criminosa e impedir que materiais furtados encontrem mercado para revenda.

Inteligência vai orientar operações

A CIVITAS Rio, responsável pelo Sistema Municipal de Segurança e Inteligência, fornecerá dados para apoiar o planejamento das ações. A estrutura também já mantém uma parceria com a Light para integrar informações operacionais da concessionária ao ambiente de inteligência municipal.

A CET-Rio, por sua vez, encaminha regularmente às forças de segurança relatórios sobre ocorrências envolvendo a rede semafórica. Essas informações passarão a integrar a análise do novo núcleo, junto com registros de furtos, danos, fiscalizações, apreensões e interdições.

Os sistemas municipais de videomonitoramento e os dados compartilhados legalmente pelas instituições participantes também poderão ser utilizados nas operações.

O compartilhamento das informações deverá seguir as regras de proteção de dados pessoais, segurança da informação, sigilo e controle de acesso.

Furtos já retiraram mais de 2 mil quilômetros de cabos das redes

Os números mostram a dimensão do problema enfrentado pela cidade. Entre 2021 e 2026, foram registradas 94.824 ocorrências de furto de cabos da iluminação pública, com aproximadamente 1.816 quilômetros de material furtado e prejuízo estimado em R$ 42 milhões.

Na rede de sinalização semafórica administrada pela CET-Rio, os prejuízos desde 2021 chegam a cerca de R$ 27 milhões. No mesmo período, foram levados aproximadamente 457 quilômetros de cabos, além de 488 controladores de sinais.

Somadas as duas redes, os prejuízos superam R$ 69 milhões, afetando diretamente a manutenção da infraestrutura urbana e a prestação de serviços à população.

Semáforos passam a utilizar cabos sem valor comercial

Para reduzir o interesse econômico dos criminosos, a CET-Rio iniciou a substituição dos cabos de cobre utilizados nos semáforos por um material sem valor comercial. O novo cabeamento tem coloração laranja e identificação indicando que não possui valor comercial.

A troca será realizada gradualmente, priorizando locais onde há necessidade técnica, áreas que sofreram furtos e novos pontos de instalação de semáforos.

Entre janeiro e julho de 2026, 455 sinais de trânsito foram afetados por furtos, o equivalente a 14,6% da rede semafórica da cidade. No período, foram contabilizadas 1.633 ocorrências, com prejuízos superiores a R$ 3,2 milhões.

Grande Tijuca, Centro e Grande Méier concentraram a maior quantidade de casos no primeiro semestre.

Além da substituição dos cabos, a CET-Rio vem adotando outras medidas para dificultar o acesso aos equipamentos, como soldagem de caixas, instalação de componentes em pontos elevados, uso de dispositivos antifurto e enterramento do cabeamento em áreas consideradas críticas.

RioLuz também reforça proteção da rede

Na iluminação pública, a RioLuz vem adotando soluções para reduzir os furtos e dificultar a retirada dos equipamentos. Entre as medidas estão a substituição de cabos por alumínio, concretagem de caixas de passagem, instalação de caixas antifurto para projetores e utilização de cabeamento aéreo em trechos da Avenida Brasil.

Também estão sendo instaladas eletrocalhas com proteção contra furtos no Túnel Noel Rosa.

Light registra R$ 10,4 milhões em prejuízos em 2026

O problema também atinge diretamente a rede de distribuição de energia. Entre janeiro e julho de 2026, a Light registrou 780 ocorrências de furto de cabos, com mais de 78 quilômetros de materiais levados e prejuízo estimado em R$ 10,4 milhões.

Entre 2023 e 2025, foram identificadas outras 1.571 ocorrências, responsáveis pelo furto de aproximadamente 435 quilômetros de cabos e perdas estimadas em R$ 45 milhões. Segundo a concessionária, os episódios chegaram a afetar o fornecimento de energia para cerca de 255 mil clientes.

A Light mantém parceria com o Disque-Denúncia para receber informações que possam ajudar na identificação dos responsáveis pelos crimes e reforça a importância da participação da população no combate à receptação.

Com a criação do novo núcleo integrado, a expectativa é unir informações, inteligência e fiscalização para reduzir os furtos, dificultar a atuação dos receptadores e proteger estruturas essenciais para o funcionamento da cidade.